quinta-feira, 15 de março de 2012
Egis é o foco de contestação da Odebrecht
Autor(es): Por Fábio Pupo e Daniel Rittner | De São Paulo e Brasília
Valor Econômico - 08/03/2012
Executivos do consórcio liderado por Triunfo Participações e Investimentos e UTC Participações estão envolvidos em uma força-tarefa para apresentar ao governo documentos que comprovem sua qualificação para assegurar a concessão do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Essa é a prioridade da empresa depois do leilão de 6 de fevereiro, quando a sociedade arrematou o projeto e levantou dúvidas sobre sua capacidade operacional e financeira. As desconfianças geraram um recurso do segundo colocado na disputa, o consórcio liderado pela Odebrecht - único a questionar o resultado do leilão - que contesta a operadora francesa Egis, integrante da sociedade vencedora.
Apesar da desconfiança do mercado, os executivos do consórcio Novas Rotas (do qual a Odebrecht Transport tem 80% e a operadora Changi, de Cingapura, tem 20%) não contestam a capacidade financeira da Triunfo. São outras duas as linhas de argumentação usadas no recurso, ambas direcionadas à Egis (com 10% no consórcio, enquanto Triunfo e UTC têm 45% cada).
Uma das questões levantadas é em relação aos documentos apresentados pela francesa. É argumentado que a empresa deixou de apresentar papéis necessários, como certidões trabalhistas, do INSS, de regularidade tributária e financeira. No caso das estrangeiras, era necessário apresentar equivalentes a esses documentos e a Egis teria dito que eles não existiram na França. Para o Novas Rotas, os documentos existem naquele país e deveriam ser apresentados.
Outra argumentação do consórcio liderado pela Odebrecht diz respeito à movimentação da operadora Egis. O edital exigia que a empresa operasse em pelo menos um aeroporto com 5 milhões de passageiros ao ano. No caso da Egis, apenas um de seus terminais ultrapassava o número, e ainda um onde ela tem uma posição minoritária. No entanto, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia esclarecido que, mesmo com participação minoritária nesses aeroportos, as empresas estariam habilitadas para a disputa.
O consórcio vencedor rebate as argumentações e diz que atendeu os requisitos do edital. "Por esta razão, sua proposta foi homologada pela ANAC em 17 de fevereiro, após criteriosa análise da documentação dos sócios por parte do órgão", diz texto enviado via assessoria de imprensa.
No governo, fontes dizem que, embora os investimentos nos aeroportos precisem de celeridade, o caso de Viracopos é o que menos demanda urgência pela realização da Copa do Mundo de 2014, por não ser uma cidade-sede. Por isso, é avaliado que, se houver um pequeno atraso (devido à troca dos concessionários), não será "dramático" para a infraestrutura do setor. Fontes também asseguram que a comissão de licitação fará a análise com a independência, sem ingerência do Planalto ou de grupos econômicos.
No Palácio do Planalto, é comentado que a própria presidente Dilma Rousseff teria "estranhado" o resultado de Viracopos, principalmente por causa da presença da Triunfo. O governo tem certa desconfiança em relação à empresa devido a sua dívida. Também causaram desconforto declarações do presidente da Triunfo, Carlo Bottarelli, de que os investimentos seriam reduzidos em relação ao previsto inicialmente pelo governo e de que os aportes só seriam acionados no caso de a demanda de movimentação ser alcançada.
A Triunfo reconhece que tem dívida elevada (a relação dívida líquida sobre Ebitda já está em 3,32, sendo que especialistas defendem 3,5 como um limite saudável para o setor). Mas para os executivos da empresa, isso não é problema pois a Triunfo teria - com a entrada da Infraero na sociedade que administrará o aeroporto, conforme previsto em edital - uma participação reduzida de 45% para apenas 22,5%. Com isso, seus aportes nos próximos dois anos no projeto seriam de apenas R$ 100 milhões.
O aeroporto de Viracopos, diz a companhia, não será responsável por aumentar seu endividamento. O mesmo, no entanto, não é possível dizer sobre outros projetos da empresa. A alavancagem aumentará ainda mais antes de começar a diminuir e a empresa já cogita emissão de mais ações na bolsa.
Paralelamente à estreia no setor aeroportuário, a Triunfo anunciou há poucos dias a entrada em um novo empreendimento. Desta vez, trata-se de um porto em Manaus (Amazonas). Dependendo do modelo de negócios a ser adotado nesse projeto, a alavancagem da empresa poderia sofrer mais pressões. Apesar de ter sido comprado por apenas R$ 4,5 milhões, o investimento em um projeto como o de um porto pode ultrapassar facilmente 100 vezes esse valor. Segundo fontes da companhia, no entanto, ainda não foi definido o destino desse novo projeto.
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