quarta-feira, 4 de abril de 2012
Privatização do aeroporto de Confins é vista com bons olhos
Estado de Minas
04/04/2012 07
Representantes do governo e analistas acreditam que leilão do terminal de Confins deve acelerar os investimentos
Geórgea Choucair - Estado de Minas
A diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se reúne nessa quinta-feira para divulgar o resultado do leilão dos aeroportos de Viracopos (Campinas), Guarulhos (São Paulo) e Brasília. Na verdade, o impasse maior é em relação ao aeroporto de Viracopos, que teve recursos contra a habilitação do vencedor, o consórcio Aeroportos Brasil (Triunfo Participações e Investimentos (TPI) S.A, UTC Participações S.A e Egis Airport Operation). Já a concessão à iniciativa privada do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e do Galeão (Tom Jobim), no Rio de Janeiro, voltou à tona.
Em Minas, a possível concessão de Confins é vista com bons olhos por representantes do governo, analistas de mercado e professores do segmento de aviação. “Caso se confirme a concessão, vai estar de encontro com as aspirações do governo de ter o setor privado participando, de forma compartilhada com o público, dos investimentos no aeroporto internacional. Acreditamos que a parceria vai responder melhor às necessidades da expansão e do crescimento do empreendimento dentro do conceito de aeroporto-cidade”, afirma Luiz Antônio Athayde, subsecretário de Assuntos Estratégicos do governo de Minas.
Mas a realização dos leilões será depois das eleições de outubro, segundo fontes ligadas ao governo federal, para evitar as críticas do primeiro leilão (Viracopos, Brasília e Guarulhos) e do uso político da privatização na campanha. O Galeão sofre com a qualidade do serviço prestado e, por isso, seria um dos primeiros da lista. Já Confins, precisa de investimentos para atender à demanda.
Confins transportou 9,1 milhões de passageiros em 2011, bem acima da capacidade do aeroporto, de 5 milhões de passageiros. O consórcio Concremat/Themag, vencedor da licitação do projeto executivo do Terminal 2, que vai ser instalado ao lado do estacionamento novo, já iniciou o trabalho. A intenção do governo é de que até o final do ano possa entregar à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) o projeto pronto para licitar as obras. O orçamento preliminar do governo do estado é que o terminal vai custar US$ 300 milhões.
“A parceria com a iniciativa privada pode acelerar os investimentos. Confins vai se firmar como um dos portões de entrada da malha internacional e de distribuição da malha nacional na Região Sudeste. Com certeza o aeroporto vai despertar atenção para a concessão”, diz Athayde.
O analista de aviação Renato Cláudio Costa afirma que o aeroporto é um empreendimento complexo e que a privatização precisa ser bem avaliada. “É necessário saber se só o terminal de passageiros que vai ser privatizado ou o controle de tráfego, pistas de pouso, terminal de cargas e as rampas de estacionamento de caminhão também. Não adianta nada o terminal de passageiros estar funcionando se não tem avião chegando”, diz Costa. Ele ressalta que o aeroporto não se resume ao terminal de passageiros. “O avião, por exemplo, tem tempo mínimo para ficar no chão”, observa.
O coordenador dos cursos de pilotagem e manutenção de aeronaves da Una, Kerley Alberto Pereira de Oliveira, também afirma que seria importante saber do conhecimento do concessionário sobre o ramo de aeroportos. “Ele vai administrar uma cidade na verdade. A empresa não pode ter só dinheiro, mas necessita de conhecimento de gestão. Gerir aeroporto não é uma coisa trivial”, afirma. (Com agências)
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