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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dias de Ação Global sobre os direitos dos trabalhadores no México

Exigindo os direitos sindicais no México, o movimento sindical internacional começou hoje uma semana de ação com uma reunião com o embaixador mexicano na ONU, e uma demonstração em Genebra (Suíça).

Estão planejadas ações semelhantes pelo menos em 30 países a partir de 19 de fevereiro, coincidindo com o quinto aniversário da morte de 65 mineiros no desastre na mina Pasta de Conchos, no México em 19 de fevereiro de 2006.

Desde então, o Sindicato dos Mineiros Mexicanos, o sindicato que exigiu justiça após o desastre, é alvo de violações sistemáticas, muitas vezes violentas, e aumentando cada dia sobre os direitos dos trabalhadores pelos empregadores e o governo mexicano.

Outros sindicatos independentes no México, para tentar melhorar os direitos da classe trabalhadora têm sido cada vez mais alvo de ataques nos últimos anos, com tolerância, cumplicidade e, muitas vezes, a ação direta do Estado mexicano.

Uma delegação internacional de sindicalistas, acompanhados por um representante do sindicato suíço UNIA se reuniu com o embaixador mexicano em Genebra esta tarde, e pediu ao governo mexicano para deter as violações aos direitos fundamentais dos sindicatos e começar a cumprir suas próprias leis e regras internacionais de direitos humanos e trabalhistas.

“Há cinco anos da morte dos 65 mineiros em 19 fevereiro 2006, na explosão de uma mina de carvão Pasta de Conchos, propriedade do Grupo México. Até agora, as famílias atingidas não receberam uma adequada compensação. Os corpos de mineiros continuam soterrados, os ataques violentos e ilegais perpetrados pelo governo e empregadores contra o Sindicato dos Mineiros Mexicanos”, disse Fernando Lopes, Vice-Secretário-Geral da Federação Internacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, um membro hoje da delegação na embaixada em Genebra.

“A política de perseguição do Sindicato dos Mineiros Mexicanos e afins deve parar ", pediu Lopes.

Os sindicatos independentes, incluindo o Sindicato dos Mineiros Mexicanos (SNTMMSRM), o Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), o sindicato UNTyPP que representa os trabalhadores da companhia estatal de petróleo Pemex, o Sindicato Nacional de General Tire do México (SNTGTM), o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Autônoma da Cidade do México (SUTUACM), o Sindicato dos Telefonista da República Mexicana (STRM), o Frente Autêntico do Trabalho (FAT) e até mais de trinta sindicatos filiados à União Nacional de Trabalhadores (UNT) foram submetidos a violentos ataques, intimidação e repressão aos direitos sindicais.

Apoiando a campanha, Joe de Bruyn, presidente do Sindicato Global UNI, explica: “Durante décadas, o governo mexicano tem oferecido baixos salários e sufocando a voz dos trabalhadores através de uma rede onipresente de contratos de proteção controlada pelos empregadores. Nós queremos mudar as regras do jogo no México e conseguir que todos os trabalhadores se unam a um movimento sindical livre e independente”.

"O Presidente Calderón tem que começar a entender que os direitos sindicais no México não vão desaparecer, mesmo que tente ignorá-los", disse o presidente da ICEM, Senzeni Zokwana, além de apoiar a semana de ação. "Hoje os sindicatos globais estão firmemente unidos no México, tendo como objetivo a vasta melhoria dos direitos laborais e sociais. A pressão é nosso instrumento. "

David Cockroft, Secretário Geral da ITF, acrescentou: "Temos testemunhado diretamente o desejo profundo e contínuo dos mexicanos para se representar e ter locais de trabalho seguros e justos. A vontade e a necessidade existem, essas ações são aquelas que permitem o progresso nessa luta. "

"O México tem que cumprir suas obrigações internacionais de respeitar os direitos fundamentais dos trabalhadores. O tratamento dado ao Sindicato dos Mineiros Mexicano é um sintoma de uma violação muito mais grave das normas da OIT no México, e o fato de não ter sido paga nenhuma indenização adequada é simplesmente inaceitável", disse secretário geral da CSI, Sharan Burrow.

Os sindicatos da Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Coréia, Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Kosovo, Nova Zelândia, Holanda, Peru, Polônia, Reino Unido, Rússia, África do Sul, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia pedem ao governo mexicano o respeito dos direitos sindicais, em uma série de ações, de 14-19 Fevereiro de 2011.

No México, o movimento sindical independente fará uma série de ações em todo o país para destacar o abuso sistemático dos direitos sindicais pelo governo mexicano.

Juntos, os sindicatos realizaram manifestações, reuniões com representantes do governo mexicano, e enviou milhares de cartas e e-mails, todos pedindo ao Governo mexicano:

1. QUE A EMPRESA E FUNCIONÁRIOS DO GOVERNO RESPONSÁVEIS PELA EXPLOSÃO DA MINA PASTA DE CONCHOS QUE MATOU 65 MINEIROS EM 19 DE FEVEREIRO DE 2006 SEJAM PROCESSADOS;

2. ABOLIR VIOLAÇÕES SISTEMÁTICAS À LIBERDADE DOS TRABALHADORES DE SINDICALIZAÇÃO, INCLUINDO OS DOMINADOS "CONTRATOS DE PROTEÇÃO" E A INTERFERÊNCIA NAS ELEIÇÕES SINDICAIS;

3. FIM DO USO DA FORÇA POR PARTE DO ESTADO OU POR PARTE DOS EMPREGADORES PARA REPRIMIR AS DEMANDAS LEGÍTIMAS DOS TRABALHADORES QUE EXIGEM SINDICATOS DEMOCRÁTICOS, MELHORES SALÁRIOS E CONDIÇÕES DE TRABALHO, SALUBRIDADE E DE SEGURANÇA;

4. FIM DA CAMPANHA DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA CONTRA O SINDICATO DOS TRABALHADORES MINEIROS MEXICANOS E O SINDICATO MEXICANO DE TRABALHADORES ELETRICISTAS.

As medidas de apoio aos sindicatos democráticos e independentes no México estão em andamento em todo o mundo pelos sindicatos filiados à Federação Internacional dos Metalúrgicos (FMI), a Federação Internacional de Sindicatos dos Trabalhadores da Química, Energia, Minas e Industrias Diversas (ICEM), a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF), o Sindicato Global UNI Global e a Confederação Sindical Internacional (CSI).

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