O leitor Luís Freitas, a propósito do golpe em Honduras, diz que muitos dos defensores de Micheletti dizem que ele é apenas líder de um "governo interino", que cumpre mandato-tampão antes de eleições presidenciais.
Assim sendo, o Brasil não tinha nada que apoiar Zelaya: logo ele será ex-presidente, Micheletti também e Honduras será governada por outro presidente, com mandato conferido pela população.
Há várias falácias nesse raciocínio. Como fazer campanha em um país onde a polícia e o exército são usados contra eleitores de um grupo político, onde rádios e TVs de oposição foram fechados e não há completa liberdade de manifestação e reunião? Isso não vicia o processo eleitoral na origem e tira autoridade de um futuro presidente?
Como não considerar que o objetivo de Micheletti, ao persistir no poder, não é o de controlar o processo eleitoral tendo nas mãos o aparato estatal, com isso beneficiando um ou mais candidatos?
E, finalmente, qual a garantia de que a turma de Micheletti não voltará a intervir no futuro, se for recompensado por ter dado um golpe?
O leitor lembra que no Brasil também foi assim: os militares baixaram o Ato Institucional número um e no parágrafo nove dele prometeram eleições.
Deu no que deu.
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