Consolidada - 22/09/2009 18h38
O Plenário da Câmara aprovou, nesta terça-feira, uma moção de repúdio ao gesto do governo de Honduras de cortar água, luz e telefone e de impor um cerco militar contra a embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está abrigado o presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar no último dia 28 de junho.
A moção foi proposta pela Mesa Diretora da Casa, com o apoio dos líderes do PT, Cândido Vaccarezza (SP), e do Psol, Ivan Valente (SP). O presidente Michel Temer disse que a Câmara não poderia deixar de se pronunciar contra a agressão à embaixada, que legalmente é considerada como parte do território brasileiro. "Toda e qualquer agressão de um Estado contra uma embaixada deve ser repudiada; essa é uma questão de Direito Internacional, pois envolve a preservação da soberania", resumiu Temer.
Ministro
Em nome do PT, Vaccarezza reiterou o apoio ao retorno de Zelaya ao governo. "Todos os países da América Latina repudiam o golpe em Honduras. E os Estados Unidos têm tomado posições importantes para impedir o governo golpista de se estabilizar", disse Vaccarezza.
O líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC), anunciou que vai requerer o comparecimento à Câmara do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para explicar a posição do governo brasileiro antes e depois da chegada de Manuel Zelaya à embaixada.
Críticas
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) advertiu que a lei brasileira proíbe o asilado de fazer pronunciamentos públicos. "A embaixada brasileira não pode servir de plataforma política para o senhor Zelaya", sustentou Jungmann. Ele pediu a Celso Amorim que "determine o fim de todo e qualquer pronunciamento de Zelaya".
Já o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) sustentou que "Zelaya não pode usar nossa embaixada como palanque político". Além disso, Bolsonaro questionou a forma pela qual o presidente deposto teria ingressado no prédio. "Tenho a informação de que ele teria entrado no porta-malas do carro de um funcionário da embaixada", disse.
"Não houve golpe em Honduras, como dizem os radicais esquerdizóides; os militares apenas cumpriram uma ordem de reintegração de posse, dada pela Corte Suprema de Honduras para evitar que Zelaya usasse o voto do povo ignorante", afirmou Jair Bolsonaro. Ele acrescentou que, se ocorresse o mesmo no Brasil e o presidente se recusasse a sair, as Forças Armadas daqui também iriam retirá-lo do poder.
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Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - João Pitella Junior
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