Debates com temáticas mensais constituem espaço permanente de mobilização entre o PT e militantes sindicais
11/09/2009
A construção de uma agenda conjunta para elaborar um projeto alternativo para o estado de São Paulo foi discutida, nesta sexta (11), na sede do Sindicato dos Bancários, em São Paulo, durante o Seminário “O PT e os Petistas no movimento sindical cutista”. Cerca de cem dirigentes petistas de sindicatos cutistas aprovaram com o Partido uma proposta de Jornada de Mobilização / Campanha de Luta para os próximos meses.
O secretário Sindical do PT-SP, Angelo D´Agostini, considerou a aprovação desta proposta um “fato histórico”. “Há muito tempo, se discutia a criação desse espaço permanente de debate e mobilização entre esses organismos. Portanto, essa Campanha de Luta veio ao encontro dos anseios dos sindicatos e do PT”, afirmou o dirigente petista.
Serão seis meses de mobilizações, até abril de 2010, em torno de cinco temas, que serão discutidos junto à militância em debates e seminários, e com a população em mobilizações de rua. Em outubro, o tema será saúde; em novembro, segurança; os pedágios serão debatidos em dezembro. Em 2010, o debate começa em fevereiro, com meio ambiente, seguido de educação, em março, concluindo com uma grande atividade de rua. Em abril, ocorre outro seminário para avaliar e destacar outras bandeiras de luta, dando continuidade à jornada.
Segundo o presidente do PT-SP, Edinho Silva, a idéia é estender a campanha para partidos aliados e outras centrais e movimentos sociais. Para ele, é preciso haver uma aproximação maior entre petistas e as centrais sindicais para construir uma agenda conjunta e criar um projeto alternativo para o estado. “Esse é um dia de trabalho para refletir o que tem sido a luta do PT e desafios da CUT e fazer junção de esforços”, disse.“Hoje temos condições de comparar os oito anos de Lula e FHC. Não podemos perder de vista a disputa de projetos”, declarou Edinho. Ele mostrou um diagnóstico da execução orçamentária do Governo Serra, que mostra a total ausência do estado nas políticas públicas. “Vamos fazer o confronto com os números do Governo Lula”, antecipou.
Embate ideológico
O presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, também enfatizou a necessidade do PT e da CUT fazerem esse debate permanente e sistemático. Lembrou da origem muito próxima dos dois organismos, representando, desde o início, parcelas expressivas da classe trabalhadora. “2010 será um grande embate ideológico e São Paulo representa uma economia e um sindicalismo pujante, além de ser um estado determinante para o futuro do país”, ponderou Berzoini. Para ele, é fundamental que o PT e a CUT estejam sintonizados com uma agenda comum e objetivos comuns para fazer o enfrentamento a esta disputa ideológica de projetos.
João Felício, secretário Sindical Nacional do PT, também ressaltou a importância de se estabelecer uma relação mais orgânica entre o partido e as centrais sindicais. Segundo ele, a relação com os movimentos sempre foi muito forte. “Estamos perto de uma grande disputa eleitoral e não podemos deixar que haja retrocesso com a volta do neoliberalismo. De acordo com o dirigente petista, as conquistas do Governo Lula, tais como a criação de empregos e o aumento do poder de compra do salário mínimo, não podem “passar em branco”. “Cabe ao PT esse papel de levar à sociedade as conquistas, comparando governos”, apontou Felício.
O presidente do Sindicato dos Bancários, Luis Claudio, anfitrião do evento, falou da importância do movimento sindical para a sustentação do partido. “Mesmo em meio a crises, o movimento foi importante para o fortalecimento do partido”, afirmou o sindicalista. Ele avalia que o movimento sindical vive um processo de grande ascenção no Governo Lula e defendeu uma unificação e articulação entre estes o movimento e o PT.
O presidente da CUT-SP, Adi dos Santos, defende a necessidade de uma maior confluência entre PT e CUT, com o objetivo de se montar um exército de militantes para dialogar com a sociedade e garantir que não prevaleça a lógica do estado mínimo em São Paulo. Em sua opinião, o principal objetivo deve ser debater qual o modelo de estado que queremos.
Ele lembrou o movimento adverso que o PT e a CUT enfrentaram, na década de 80, quando nasceram, “com o regime militar ainda respirando” e a ascenção do neoliberalismo no mundo. “PT e CUT têm uma história que contribuiu para modificar essa lógica implementada na década de 90, marcada pelo desmonte do estado. Conseguimos interromper isso em nível nacional, com a eleição de Lula, mas não no estado de São Paulo, onde ocorrem privatizações na saúde. Precisamos discutir no Estado o que discutimos, na década de 90, no país”, analisou o sindicalista.
A secretária de Relações do Trabalho da CUT, Denise Motta Dau, abordou o tema do livro, recém lançado, “Terceirização no Brasil: do discurso da inovação à precarização do trabalho (atualização do debate e perspectivas)”, que a tem como organizadora, assim como Iram Jácome Rodrigues e Jefferson José da Conceição. Denise defendeu a importância da participação popular para o controle social.
O prefeito de Várzea Paulista e secretário de Políticas Públicas, Eduardo Tadeu, representou a diferença na relação entre os governos petistas e o movimento sindical. Em sua opinião, ferramentas como o orçamento participativo cumprem um importante papel na mobilização social. “A Prefeitura avançou muito no debate com funcionários e sindicatos, criando data-base e parâmetros para negociações que não existiam, assim como constituindo uma escola de governo para desenvolver o potencial dos servidores”, contou.
O ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luís Dulci, também esteve presente ao evento, apontando os avanços da relação entre o governo federal e o movimento sindical no país. Dulci fez um balanço e uma análise desses oito anos de Governo Lula, mostrando o diferencial petista.
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