11/09/2009 - 13h41
Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São PauloApós o anúncio no início desta sexta-feira (11) de crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o resultado se deve "sobretudo à parte mais pobre", por ter mantido o consumo em alta apesar da crise global. Ele criticou as pessoas de "mente colonizada" que não acreditaram nos fundamentos do país para passar pelas turbulências.
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"Teve gente que desativou totalmente qualquer investimento. Teve gente que deu férias coletivas em dezembro, janeiro. E eu acho que foi um erro de pessoas que preferiram acreditar, muitas vezes, numa mentira bem contada, do que numa verdade nua e crua que estava acontecendo", afirmou o presidente durante evento que marcou o início da produção do primeiro navio do estaleiro Atlântico Sul, no porto de Suape, em Pernambuco.
O resultado do segundo trimestre tira o Brasil da recessão técnica - marcada por dois períodos consecutivos de crescimento negativo do PIB. Graças a ele, a economia brasileira retornou ao patamar do primeiro trimestre de 2008, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O agradecimento aos mais pobres se deve também à informação do IBGE de que a recuperação entre abril a junho foi puxada pelo consumo das famílias, cuja expansão ficou acima da observada nos seis meses anteriores. O indicador avançou 2,1% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2008, o ganhou foi de 3,2%
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do pré-sal
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Também pesaram para o incremento no PIB, diz o IBGE, os investimentos do governo. Segundo Lula, isso só foi possível por causa da ousadia do governo brasileiro de acelerar os gastos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de mais de R$ 500 bilhões para uma quantia além dos R$ 600 bilhões.
Preparado
"Este país estava mais preparado do que o mundo desenvolvido para a crise. Mais do que a Europa e os Estados Unidos. Esse era o momento de ter ousadia. Hoje, com muito orgulho, os dados do IBGE mostram que não estávamos tão errados", completou Lula, para depois exaltar o que chamou de nova auto-estima dos brasileiros em meio à superação da crise iniciada há um ano, com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.
"Se os governantes não acreditavam neste país, por que vocês deveriam acreditar?", perguntou ele aos operários presentes. "Eu não entendia. Estive várias vezes com a direção da Ford internacional. E eles me diziam que o melhor trabalhador do mundo era o brasileiro. A GM dizia a mesma coisa. E aqui no Brasil os governantes não acreditavam", acusou.
Lula voltou a criticar seus antecessores. "Dizem por aí 'Ah, o Lula teve sorte. O [presidente da Petrobras, José Sérgio] Gabrielli teve sorte por causa da autosuficiência de petróleo e porque achou o pré-sal. Não é sorte, não", retrucou.
"Pergunte quanto eles investiam antes e quanto investimos agora. É pelo menos seis vezes mais. Ninguém descobre se não investir. A gente tem que gastar dinheiro. Pode achar muito, pode não achar, mas tem de continuar investindo", afirmou Lula.
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